O elevado interesse botânico da serra da Arrábida reside na composição da sua vegetação, onde se verifica a convergência de três elementos florísticos:
- Euro-atlântico, dominante nas exposições do quadrante norte, mais fresco, húmido e sombrio;
- Mediterrânico, dominante nas exposições do quadrante sul, mais quente, seco e luminoso;
- Macaronésio prevalecendo nas situações mais acentuadamente marítimas, as arribas.
A sua localização privilegiada no extremo ocidental do continente europeu, aliada às suas características climáticas e geológicas e aos fatores de natureza antrópica que exerceram a sua influência nos últimos milénios, permitiram que neste local se desenvolvessem processos naturais ímpares ao longo da história da vegetação.
Segundo Gomes Pedro (1942), a vegetação da serra da Arrábida é constituída por cinco tipos fisionómicos distintos:
- Formação rupestre
- Charneca
- Matagal
- Machial
- Mata
A conjugação das características climáticas, geográficas e orográficas justificam a presença de comunidades vegetais únicas, a nível mundial, ricas em história evolutiva, que resultam numa paisagem vegetal excecional. Esta vegetação, apesar de algumas semelhanças com outras serras calcárias localizadas mais a norte, apresenta aspetos exclusivos como o carrasco-arbóreo e o tojal.
O carrasco é um carvalho quegeralmente apresenta-se na forma arbustiva, com uma altura de cerca de 2 m, mas que em certos locais atinge excecionalmente o porte arbóreo, podendo atingir os 9m de altura.
As formas arbóreas de carrasco:
- Quercus coccifera – Ocorrem em habitats particularmente favoráveis do ponto de vista do solo e do regime hídrico, apresentam características morfológicas relativamente estáveis e diferentes dos carrascos dos matos, o que levou alguns autores a considerar como uma subespécie;
- Q. coccifera L. subsp. rivasmartinezii (Capelo e Costa, 2001) – mais tarde proposta como espécie (Capelo e Costa, 2005).
No que respeita ao tojal, o Ulex densus é um endemismo português com uma área de distribuição restrita aos solos calcários do Centro Oeste e Arrábida, onde forma tojais densos em manchas com alguma extensão, sobretudo no planalto do Espichel, tornando a paisagem num amarelo intenso durante o mês de abril.
Ainda devido aos solos calcários, o Parque Natural da Arrábida conta com cerca de 30 taxa da família Orchidaceae.Grande parte destas espécies está associada aos relvados seminaturais perenes (com dominância de Brachypodium phoenicoides), habitats herbáceos, sem ou com poucos arbustos, que ocupam extensas áreas no interior da Arrábida.
Em termos florísticos:
- Withania frutescens, Lavatera maritima e Fagonia cretica – espécies do elemento macaronésico que, em Portugal, apenas aparecem na Arrábida
- Orobanche rosmarina – endemismo do CW de Portugal, atualmente apenas conhecida na Chã dos Navegantes, local que se situa nas imediações do cabo Espichel
- Ulex densus – endemismo do CW de Portugal, incluído no Anexo V da Diretiva 92/43/CEE
- Chaenorrhinum serpyllifolium subsp. lusitanicum – endemismo do SW de Portugal, incluído nos Anexos II e IV da Diretiva 92/43/CEE
- Pseudarrhenatherum pallens – endemismo de Portugal, incluído nos Anexos II e IV da Diretiva 92/43/CEE
- Silene longicilia – espécie dos Anexos II e IV da Diretiva 92/43/CEE
- Narcissus calcicola – endemismo do CW de Portugal e do Barrocal Algarvio, incluído nos Anexos II e IV da Diretiva 92/43/CEE
- Arabis sadina – endemismo do CW de Portugal, incluído nos Anexos II e IV da Diretiva 92/43/CEE)
- Iberis procumbens subsp. microcarpa – endemismo do CW de Portugal, incluído nos Anexos II e IV da Diretiva 92/43/CEE
- Euphorbia pedroi – endemismo arrabidense, sendo apenas conhecidos 3 núcleos desta espécie, dois dos quais localizados entre o cabo Espichel e Sesimbra
- Convolvulus fernandesii – endemismo arrabidense e espécie prioritária incluída nos Anexos II e IV da Diretiva 92/43/CEE. Apenas são conhecidos pequenos núcleos desta espécie nas imediações da Chã dos Navegantes, junto ao cabo Espichel.








Fonte: ICNF